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sábado, 7 de julho de 2012

Baita Susto!


De tirar o fôlego, fiquei extremamente assustada com a possibilidade de ter perdido, para sempre, três anos de escritas sinceras, reveladoras – pra quem as percebeu – e sem a possibilidade de reaver aquelas gavetas que aqui escancarei.
Simplesmente o provedor que hospeda meu site, UOL Host, não registrou o pagamento da anuidade. Erro humano. No inicio, pensei ser problemas de conexão, de satélite, das estrelas, das explosões solares ou até mesmo do destino.
Quando cai em mim, de que o Gavetas havia sumido desaparecido da face da net, entrei em pânico e me assustei. Senti um vazio extremo, um vácuo inexplicável e um desespero que doeu no umbigo.
Senti-me mais pobre e solitária nesse mundo de Deus, como se tivessem roubado parte da minha história, esvaziado minhas gavetas, jogado no espaço meus sentimentos mais recônditos. Fui literalmente roubada.
Meu útero se contraiu como se um filho tivesse morrido, meu coração palpitou descompassado com a dor da perda, minhas roupas não fizeram mais sentido, eu estava nua vagando no nada sem saber pra onde minha dor tinha sido levada.
Sei que tenho sido relapsa quanto ao blog, passo semanas sem postar e muito menos visito quem me comenta. Mas tenho escrito direto em minha mente, só não posto aqui e amo cada comentário que recebo e adoro as visitas que nada comentam, pelo menos estou sendo lida. Apesar de que os visitantes anônimos esperam também pelos meus delírios e em vão nada lêem.
Prometo ser mais dedicada, vou postar aquilo que tanto escrevo dentro de mim.
A perda temporária do Gavetas, fez de mim uma mãe desesperada de um filho desaparecido. Como faria pra reaver aquelas emoções todas que postei? Os amores, as paixões, as dores, as sutis revelações, as alegrias e as indignações.
Claro que os sentimentos e as lembranças trago comigo, assim como tenho todos os textos guardados, mas o momento postado, esse estava perdido.
Isso tudo mexeu demais comigo, me deixou no vácuo, arrancou um grande amor do meu peito e esse momento meus queridos, coração nenhum aguenta.
Ti amo tanto amado blog, não fuja mais de mim!!
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sexta-feira, 27 de maio de 2011

Dois Anos Escancarando Gavetas

Foi de mansinho, como aqui já falei
Linha a linha, costurei com palavras
Palavra a palavra, redigi sentenças
Frase por frase fui abrindo gavetas
Escancarei e sentenciei minha vida em versos

Cada palavra escrita trás minha vida
Meus desejos, frustrações, anseios,
Segredos não mais guardados
Gavetas não mais trancadas
Poeiras e mofos escancarados

Já matei dragões
Driblei leões
Pulei precipícios
Que por ofício
Me fazem escrever

Escrevo sobre anões e corações
Duendes e gnomos visitam minhas letras
Clarões invadem a visão
Que do branco transmutam poesias
Enquanto raízes e sementes brotam de mim

Libertei borboletas
Comi sapos
Dancei com um beija-flor
Da dor, bulinei palavras
Do amor, fiz versos descompassados
E das gavetas, expeli os desatinos.

Obs1: Há dois anos criei o Gavetas da Lídia pra desatinar em versos, acho que to conseguindo. E, também, há dois anos amo vocês, amados leitores de uma aspirante a poeta. Obrigada por me lerem.
Obs2: Eis aí, o selo que a Silvia, do Meu Lado Contido, fez pro Gavetas. 
Obrigada amiga.


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sábado, 22 de janeiro de 2011

Eu Te Dei Uma Gaveta

Eu te dei uma gaveta no meu armário! Acho que você não entendeu o significado disso. Significa compartir contigo meu espaço, minha intimidade e meu coração. Nas arrumações que fiz, tratei de abrir uma só pra você.
Tava empoeirada, mas também tratei de limpar e tirar o pó acumulado nesses anos todos. 
E, dei uma gaveta para você...
Dei porque depois de tanto “vai e volta” acreditei novamente em tuas palavras. 
E abri uma gaveta somente pra você.
Há muito, ninguém ocupava uma gaveta minha.
É como abrir o coração, deixando invadir meus pertences mais queridos e meus segredos mais escondidos. É como revelar minha intimidade, compartilhando calcinhas e sutiãs. É como ceder meu melhor travesseiro, repartir o cobertor e entregar meu melhor lado da cama.
Há um perigo iminente quando você permite uma outra escova de dente ao lado da sua, compartilha o mesmo sabonete ou deixa cozinhar no seu fogão. Cuide-se disso, é entrega! E como tal é perigosa se não houver valor de ambos os lados.
Não sou mulher de ceder gavetas a qualquer um, mas se o fiz... foi por acreditar nas palavras que ouvi e nos olhos que encarei.
Custa-me, também, esvaziá-las porque ficará um vazio igual ao do meu coração. E não gosto de vazios e nem de vácuos no meu peito. Prefiro enchê-los de vida, pois gavetas vazias remetem ao descaso e ao abandono.
Talvez você quisesse bem mais do que uma gaveta, o armário inteiro.. quem sabe. Mas o espaço se conquista não se impõe. Há quem não valorize uma pequena gaveta, o que dirá de um armário inteiro. Eu te daria, mas com o tempo, com a parceria e com a cumplicidade. Tem que haver para que possamos ceder espaços e gavetas. Não houve, pelo menos da tua parte.
Posso garantir que te daria o armário inteiro, mas precisava saber se de uma simples gaveta você almejava um espaço maior. Tive a certeza que não, quando percebi que você não conhece a verdadeira dona do armário e, também, não teve a mínima vontade de conhecer a mulher que habita esta casa e valoriza a quem abre suas gavetas.

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domingo, 28 de novembro de 2010

O Luto das Gavetas

“Jogar tudo fora e começar de novo é a mesma coisa que tentar reconstruir um avião em pleno vôo. Não se explica o que fazer com as vítimas no momento da queda”.
Confesso: tô sem tesão de escrever, de responder recados no orkut, no blog, no celular, e-mail, carta, pombo correio, sinais de fumaça, aff... só não dispenso um abraço.
Aquele negócio de sair do casulo, ser eu mesma e blá blá blá... não é tarefa fácil. Demorei pra confessar, até porque nem pra isso eu tinha “saco”. São transformações, que peço paciência a Deus e a vocês. Nem eu sei onde vou chegar. Nem eu sei quem vai restar. Só sei que tô em pesada transformação, mas a vida é isso né.. não sou estagnada, sou revoltada com a paralisia.
Mas, por favor, não me cobrem, já faço isso muito bem.
Outra coisa, anteriormente eu passava o dia inteiro na net. Podia falar com todos, conversar, confidenciar e ser confidenciada, hoje não. Aposentei, mas mesmo assim tento alguns “bicos”, sabem que salário mínimo não sustenta ninguém. Portanto, já não fico aqui o tempo todo. Minhas aspirações se transformaram e radicalizaram. Mesmo assim, pessoas me cobram o fato de não estar disponível.
Juro que estou, porém de forma diferente e mais centrada, ou não. Amo comentários no blog sei que “devo” respostas.
Tenho momentos de fuga, momentos de fome, de reflexão, momento só meu, aqueles que escrevo, outros que descrevo, de depressões, do respondo depois, do remember, do tô curtindo minha casa nova, tô caminhando, fumando e bebendo, dos florais e homeopatia, do pensando, do fugindo, do não sou poeta, do penso que escrevo, da culpa, da cobrança, do ficando velha e continuo adolescente, do “dexa pra depois”, do “desculpe o auê”..
Há também, momentos de apego, do desassossego, do aconchego, do bocejo e assim vai, momento a momento.
Sumida ou assumida, vezes me acho outras me perco, me off ou me on tanto faz.
Com certeza é um momento que ainda não consegui explicar pra mim mesma, sou assim, confusa e fujona, às vezes, mas volto. Eu não paro, eu me fujo, eu reciclo, eu renasço, eu escrevo e descrevo, eu penso (demais) e existo.
 Não sei se tenho fugido de mim ou pra mim. Só sei que tô apática e zen. Uma espécie de troca do virtual pelo real, coisa difícil, pois eu estava encravada neste mundo. A impressão que tenho é que quero sentar os pés no chão e tirar a bunda da cadeira.
São difíceis as conseqüências a que estou me submetendo em prol da mudança. Não devo estar agradando aos virtuais e aos reais ainda submeto a criticas e escolhas daquilo que me cabe. A mudança ainda não acabou.
 
Não pensem que está sendo fácil, apenas não tenho vontade de teclar.
Desde a minha revirada de gavetas, mudança de casa e aposentadoria (fechar minha empresa) até hoje, eu não tinha idéia das conseqüências. Hoje, em plena transformação, temo pelo resultado disso tudo. Não faço idéia da recriação, muito menos a quem estou me transmutando. Só sei que estou reciclando e, em pleno desabafo......  não sei o resultado.
Pessoas ditas normais não se prendem a mudanças, mas eu, como não o sou, me prendo. Virei em 180º, de cabeça pra baixo e do avesso, não esperem as mesmas atitudes... graças a Deus. Não é o primeiro e talvez nem o último renascimento.
Mas enquanto isto ocorre, prefiro ficar calada e quietinha. Tipo, no ventre me escutando, em comunhão, em profusão, me criando, renascendo, refazendo, reinventando, assustada, angustiada, entrando pra dentro de mim pra ver o reverso.
E em verso, quem sabe, eu transforme um poeta incrédulo em poeta de verdade. Carne e osso. Mente e coração. Alguém que simplesmente escreva o que realmente sente. E acredite nisso, não pelo que lhe dizem, mas pelo que sente na alma.
A revolta das gavetas mexe comigo, deixei uma bagagem pra trás que agora está me cobrando atitudes. É um luto o que estou passando e, confesso de novo, dói.
Certas mudanças reviram minha zona de conforto e quando me dou conta estou meio perdida, aturdida, no abandono daquilo que eu era. Mudança de casa, de estado profissional, de vizinhos, de caminhos, de atitudes, vícios, paisagens, de padaria, de rotina e de luto. Aí...
O conteúdo das gavetas foi mexido e remexido, incomodado e desacomodado, esvaziada deixando lacunas ainda incompletas, vazios e vácuos que precisam ser ocupados por novas descobertas.  
Mudanças sempre me desacomodam e mexem muito comigo, mais do que eu gostaria...  
Preciso enterrar alguns mortos para que eu saia do luto e então possa, finalmente, encarar as novas gavetas.
Tô perdidona nelas...
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quinta-feira, 22 de julho de 2010

REFAZENDO AS GAVETAS

Texto escrito enquanto abria as gavetas físicas de minha casa, fato que ocasionou a abertura de praticamente todas as minhas gavetas internas. E isso, me fez viajar por todas as estações que passei até hoje. Foi uma viagem solitária, mas recheada de lembranças que já nem lembrava. Como se fosse um filme, revi quase toda minha vida. Foi um momento de recolhimento necessário em que quase abandonei meu blog, agora reconstruída retomo aos meus escritos e a importante companhia de vocês. É o recomeço de uma nova jornada em que assistiremos juntos em que o meu vôo me transmutou.

Vamos ao texto:

Não pensei que eram tantas muito menos que fossem tão profundas as gavetas da minha casa. Há dias estou abrindo e limpando gavetas, armários e afins.

As gavetas me engoliram, me sugaram. Por isso, quase não tenho vindo aqui. Fui tão completamente sugada por elas que lá fiquei, só sentindo. Cai de boca nas gavetas e revejo minha vida em papéis amassados, bilhetes de amor que já foram, contas que paguei, desenhos de crianças que já cresceram, bijuterias envelhecidas, uma história de vida que nem lembrava mais.
As mudanças que falei incluem casa e profissão. São demais, mas necessárias. De tempos em tempos isto ocorre em mim, viro a mesa e reviro gavetas. E, nessa limpeza que faço parece que revejo minha vida quadro-a quadro através das gavetas, como se fosse um filme.

Fui obrigada a convidar a solidão pra me ajudar, só ela podia me acompanhar nessa excursão. Já chorei e já sorri, a nostalgia das lembranças são pesadas às vezes. Outras, nem tanto, se apegam na alma e embalam recordações de uma existência vista e revista com o carinho da vida que vivi.

 
Revejo uma bagagem de causar inveja naqueles que não se permitem sentir. Eu sinto e vivo aquilo que sou e minhas gavetas estão despejando as lembranças agora em mim. Que vivência linda encontro nelas e orgulhosa me desfaço de algumas que já passaram do tempo de validade para dar lugar às outras que me atropelam nessa virada.


Faço tudo isso sozinha porque são minhas as lembranças, a quem elas me lembram o carinho me invade e emana a emoção de ter vivido. A dor que às vezes sinto é adocicada pelo desgaste do tempo. Vale apenas o ter vivido e isto estou separando uma a uma pra levar pra casa nova. Estou separando os pedaços de minha vida em caixinhas, escolhendo as que levo das que me despeço.
Deixo algumas na casa velha que não é minha, pra que tenha espaço pra outras na nova morada. Retorno ao que me faz feliz, trazer de volta a jornalista que sou. É mais que um pulo onde sei que o pára-quedas vai abrir. Tenho me despido de mim mesma, arrancando a pele velha para que a outra me substitua. A cada gaveta que limpo sai um pedaço, são partes desnecessárias ao novo caminho.

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 Arranco a própria pele e nua de mim refaço minha alma. Despida do velho pra que o novo me chegue. Quero novas e limpas gavetas pra meu novo recomeço.Desfazer-se dos pedaços é como arrancar a pele pra que outra me revista e então sair do casulo e poder dar a vida a uma nova borboleta.

PS: peço desculpas aos amigos que comentaram aqui e não respondi, minhas gavetas me engoliram...
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