sábado, 4 de julho de 2009

AMOR ASSIM

(imagem: doufine)
Assim... amoroso, de mãos dadas
Como se nada fosse ventar
Como se nada fosse matar
Assim...formoso, de almas grudadas

Corpos encaixados e suados
Olho no olho, pele na pele
Mãos entrelaçadas no passeio
Com anseio de quero te ter

Sonho de alma, que acalma
Que conversa a noite inteira
Que timidamente pede pra fazer amor
E selvagemente o faz

Quero um amor assim
Aquele do aconchego
Que basta um beijo
Pra saber que existe

Que resiste e persiste
Embora temporais o tentem
As mãos continuam ligadas
E os olhos transcendendo

Compondo jardins
Plantando canções
Rimando olhares
Sonhando você
Bem assim..

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quinta-feira, 2 de julho de 2009

QUE SUFOCO

( imagem:Diego Rivera)
Sufoco ser eu
Achar meu eu
Buscar o eu
Sutil meu eu

Vulcão em erupção
Explosão temida
Retida, contida
Ser eu palpita

Habita entranhas
Esconde temores
Amorfa amores
Abafa rumores

Ser eu complica
Ser eu também explica
Descompassa a vida
Desgoverna a lava

Expele porcaria
Comprime razões
Expulsa demônios
E encontra a essência

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terça-feira, 30 de junho de 2009

UM SONHO DE RAINHA

Soledad Montoya, espanhola e linda. Sempre dona de um sorriso. Vestida num vestido vermelho e preto, cabelos longos, ondulados e doces. Era assim que se vestia Soledad Montoya.
Menina formosa, mulher misteriosa. Desde cedo assanhou rapazes. Desde cedo cobiçou mulheres. No vilarejo de ruas vazias e poeirentas, povoado de mexericos e homens bêbados, Soledad formou-se rapariga dona de invejáveis prazeres. Cresceu em meio ao porre e putaria de sobrenome. Vingou linda e selvagem criatura, cheirando a feno e dormindo celeiros.
Vestiu sempre vermelho e preto, combinando com o cabelo. Rodava saias e castanholas num bar cheio de mofos bêbados.
Foi assim que criou mágoa e veneno. Foi assim que perguntou o final daqueles pátios de infância, tão doces e ternos. Pátios brincados de castanholas com meninas iguais a ela. Onde estão aquelas crianças dos sonhos de Soledad ? Esconderam-se nos celeiros onde seus sonhos de menina estupraram na saudade. Ficaram misturados no feno que serviu de cama ao seu desalento. Só restou o mesmo rio de infância pra lavar seu desgosto de mulher vadia, que um dia sonhou em ser rainha.
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quarta-feira, 24 de junho de 2009

MIGALHAS

To irritada, aceito migalhas
Como pombos na praça
Contentam tão pouco
Mendigo emoções retalhadas

Cato migalhas no chão
Vou na contramão
Retalhos de paixão
Sobras de ilusão

Beijo sapos retardados
Que viram cacos disfarçados
Sonho borrado, sonho acordado
Sufoco choro amarrotado

Levanto do poço sem fundo
Desnuda e descalça
Corpo inerte que sobe
Enxerga a luz e decola

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segunda-feira, 22 de junho de 2009

DOMINGO SEQUELADO

(site 1000 Imagens)
Aí...final de domingo, gosto de ressaca de vinho
Roubado um carinho acanhado, hoje com gosto de perdido
Frustrada tentativa, rosto de quero esquecer
Sentindo um vazio completo, sequelas de amarga ilusão.

Noite acordada, tentando o nada
Enorme vazio preenchido com gosto das sequelas
Pareço sem força, tentativa forçada
Tento arrancar um amor que não existe e resiste

Domingo, melhor dia pra pensar e ninguém gosta
Hoje não quero fugir, quero encarar esta dor
Vestir a realidade do falso que eu mesma construí
Quero fugir pra dentro de mim, segurar minha mão

Largar essa mão que não é minha, olhar meus olhos
Encarar meu pranto e no meu canto, chorar
To com gosto de mal dormir, falido e acordado
Cai de boca no chão, quebrei os copos

Gosto de domingo acabado na lembrança
Um olhar que foge do meu e me cansa
Sentimento com gosto de canção errada
Esse tédio me amofina e lá vem a segunda
(quem sabe amanhã fico melhor)
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quinta-feira, 18 de junho de 2009

LOUCA COMO UMA FLOR

(imagem: Lídia)
Conheci uma louca, desvairada e meiga criatura
que da net saiu como doidos versos e inversos
Saiu da jaula das loucas numa pureza que dá medo
Encantada criatura, indefinida escrita que me espanta

Leio seus loucos e sensatos versos como aprendiz
Como não amar pessoa assim
Irônica, malvada e docemente meiga
Escreve versos como quem vive e reviravolta

Revira tudo e todos, até ela
Come livros estranhos e pão com mortadela
Sua timidez briga como fera enjaulada
Escreve impropérios e doces romances

Linda alma não descoberta pelos idiotas
que machucaram tão meiga donzela
Feito águia protege sua cria
Feito fera mata quem machuca
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quarta-feira, 17 de junho de 2009

QUARTA?

(site 1000 Imagens)
Sendo quarta, pulei a terça. E a segunda, é esta aí de baixo. Nublada, não mormacenta igual segunda.
Quase zen esta quarta. Me escondo dentro, através de Enya busco em mim a quinta.
Profanos pensamentos, beirando o angelical.
Quarta perfeita pra mergulhar. Silencio em mim mesma. Não ouço resposta que busco, ainda?? Me escondo no trabalho, que mais atrapalho. Que rua calma esta minha, me deixa nervosa esse movimento. Bons vizinhos, quase invisíveis e tão previsíveis. Continuo mergulhando e acendo um cigarro. Afogo um pensamento, porque não posso. Meu cachorro me faz companhia, fiel amigo.
Enya também, só que cobra.
Daí vem outro cigarro, preciso parar.
Vai uma aspirina pra aliviar a dor de cabeça, dói pensar. Um gole d’água pra matar. Movimento isso!
Tá fechando um ciclo.
Ah, tenho que olhar o saldo bancário, mas não vai fazer diferença..a cor é igual o de segunda
E o frio sobe as minhas pernas, puta merda. Preciso de movimento pra esquentar. Almoço, descanso, cafezinho.. lembrei segunda passada ou foi terça que vem..
À tarde, releiam...tirando o almoço.
Amanhã?

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