terça-feira, 6 de outubro de 2009

NORMALIDADE

Aparento uma normalidade bem normal, creio
Você ouviu? Normalllll....
Minha insanidade se confunde com isso
Seguro as mãos quando se revoltam
Mantenho-as no teclado e escrevo

Minha ira, disfarço em gargalhadas
Somos normais, dizem
Cada louco tem um pouco de sanidade
E o insano me atrai comodamente
Prefiro os tortos aos retilíneos

São mais sensíveis e transparentes
A normalidade causa tédio
Ditos normais são chatos e pedantes
Andam em fileiras e se vestem iguais
Apresentam o mesmo semblante

Já eu..a ovelha negra
Prefere ser colorida, feito arco-íris
Tão mais belo e dolorido
Insana numa normalidade aparente
Normal numa insanidade doente

Foda-se e seja feliz, assim é
Amo minha insanidade
É dela que crio e recrio minha vida
Senão, que marasmo seria
A vida passaria....normal
Só não bate a porta na minha cara tá !!!


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terça-feira, 15 de setembro de 2009

QUANTOS AMORES

Quantos amores encontro nesse desencontro de almas
Quantos passam e repassam minha vida, sem nada
Não me dôo, não me entrego assim tão fácil
Encontro o desencontro e não acho
Procuro e refaço o mesmo caminho

Beijei tantos amores, soltei tantos outros
Alguns sonhei, abdiquei de mim
Sai do chão, fui aos céus
E tombei no inferno
Sorte minha são as molas

De bar em bar procurei
Em cada olhar vaguei
De cama em cama me entreguei
Bebi todas e me deitei
E o dia em ressaca amanheceu

Enganei a vida tantas vezes
Guinei minha sorte outras tantas
Arrependi do que não fiz
E do que fiz sorri e refiz
Beijei quem bem quis

Percorri veredas estreitas
E no escuro me perdi
Embriaguei minha boca na tua
Abracei uma árvore na rua
E no asfalto.. me estatelei !!


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quarta-feira, 9 de setembro de 2009

PERDAS E DANOS (um desabafo)

Caracas, só dizendo assim. Sabe quando se perde o chão, o norte, a referência? Pois então, eu não sabia o que era isso. Ela estava ali o tempo todo. Podia não ver, não ouvir mas tinha certeza daquela presença na minha vida. O tempo todo se preocupando comigo, não dormindo.
Que saco, pensava, tais cobranças: veste o casaco...vai esfriar; leva o guarda-chuva...vai chover; te alimenta....tá magrinha (e eu gorda); não bebe....tu diriges; dorme cedo...tu trabalhas. Resumindo: te cuida minha filha!!
Muito mais forte do que jamais imaginei ouvir este... ”minha filha”. Sinto falta.
Aconchego e proteção. Faz a gente saber de onde veio.
Cara, a gente se perde. Não imaginava que o vazio era tão vazio. Há aqueles que não sentem tanto, mas há aqueles que como eu perdem o rumo mesmo.
Meiga como uma rosa e austera como uma matriarca. Silenciosa, mas falava bem no olhar. Tinha suas razões na própria razão da vida.
Dá uma tristeza as vezes que nem sei explicar, uma saudade que dói na alma.
Das lembranças tiro o afago, da imagem uma onda de prazer por ser tua filha.
E que filha, daquelas que hoje sente culpa por não ter sido mais do que deveria ter sido. Mas, também daquelas que lembra como se fosse uma canção de ninar. Ah...teu abraço, teu beijo tímido.
To tão triste hoje. Choro pela tremenda falta que tu me faz, a falta de referência, dos teus olhos enxergando tua cria.
Quero teu colo, teu abraço, teu beijo, tua preocupação comigo e aquele telefonema pedindo minha presença.
Aquela que não te deu o suficiente. Tarde pra isso...
Ah mãe... se eu soubesse. Teria te dado mais o meu amor, mais presença, mais ouvidos, mais abraços e mais filha. Perdi minha ligação umbilical, meu norte, referência de mulher forte, de amor incondicional, enfim... ti perdi. 

Uma ursa panda, espécie em extinção, minha mãe. Falo mais outro dia, hoje só choraria. Considerem isto como um desabafo. A poesia era ela.
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segunda-feira, 31 de agosto de 2009

O VOO DA FÊNIX

Garras arrancadas pela perfídia dos homens
Segredos imaculados em nome do amor
Arrancaram tua mais inocente sensualidade
Tua mente rasgada e queimada
Ave lendária que renasce das cinzas

Quase eternas, geram seus filhos
Mediante o fim da sua
Preservam sua própria ressurreição
A partir do seu corpo
Voltam como filha

Não despenca dos rochedos
Voa mais alto, vai longe
Tua dor te carrega
Te eterniza na alma daquilo que foi
Transmuta das cinzas que o céu é teu

Transcende teu horror
Retorna do nada e te perpetua
Teu instinto conhece o caminho
Faz teu fogo e sucumbe
E das cinzas, levanta e voa

Te alimenta de incenso
Carrega elefantes nas costas
Tua cor confunde o sol
Queima e reluz pra vida
Seja feliz...Eternamente..
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quarta-feira, 26 de agosto de 2009

LICENÇA POÉTICA

As árvores não me dizem não
E os pássaros me voam
Enquanto o rio que me passa
Leva chorando meu barco

Levo vida passa hora
Não sei pisar no chão
No céu me vôo
E as nuvens por mim passam

Levo ilesa meu vento
A chuva só me lava
O sol que me queima
No mar vai afogar

No jardim me embrenho
Samambaias me saúdam
Roseiras me espinham
Amoras se queixam
E eu....poeto!!!


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segunda-feira, 24 de agosto de 2009

É ISSO AÍ...

Chega ser nostálgico tentar te esquecer
Ana Carolina canta esta história
A lua impõe tua presença
O vinho escorre minha boca
As flores foram testemunhas

Vou inventando amores
Procurando teu cheiro
Imaginando tua boca
Abraçando teu corpo
Falando conversas

Disfarço a dor
Ouso sonhar
Ouço tua voz
Vejo teus olhos
Beijo teu sorriso

Tal qual um sonho
Que tanta ternura
Não quero esquecer
Nunca perder
Me trouxe de volta!

Reconheci o amor
Momento guardado
Eterno na alma
Obrigada por aquela lua
Fez o brilho, dos meus olhos, voltar
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terça-feira, 11 de agosto de 2009

ENQUANTO ESCREVO, OBSERVO MINHA MÃO

Bonita não?
Ela é a minha esquerda. A minha direita.
Extravasada, porém desvairada. Louca em busca do tudo ou nada. Sempre perseguindo palavras ou páginas em branco, seguindo sonhos. Assassinando realidades.

Que duas!
Duas pessoas, duas cúmplices. Se tocam e se mexem feito um balé. Se amam e se beijam como duas amantes. Uma não vive sem a outra. Que outra. Que uma.
Elas se conhecem há tantos anos, mas se descobrem a cada novo momento. Como se nunca tivessem se visto.
Uma trabalha muito, inquieta e sempre em busca do novo. A outra fica na expectativa de romper com o velho, buscando coragem naquela que deita com ela.
Que duas. Que mãos. E o corpo que separa as duas ao mesmo tempo precisa. As duas sussurram palavras, esboçam frases tentando formar sentenças. E as letras, uma atrás da outra buscam versos uma na outra.
E no lençol branco, se encontram coradas de paixão. Como se fossem duas amantes envergonhadas de tesão. Tentam dissimular uma conversa amena de bar. Tentam disfarçar a vergonha de amar. As duas voltam pra cama branca da noite, bulinando uma na outra buscando orgasmos solitários e silenciosos. Gritando frases desconexas, formando sentenças culpadas de amores, esboçando silêncios e revelando segredos através de dedos decepados pelas dores de escrever teu nome em linhas que nunca se encontram.
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