segunda-feira, 28 de março de 2011

Divagando

Quero escrever e não consigo. Talvez seja medo de comigo ficar.  Talvez me procure sem encontrar. 
Ou talvez seja um tempo pra dar.
Daí pensei: vou escrever isso que sinto sem me importar em rimar. Vou escrever o nada, quem sabe ele me diz o que devo encontrar. Quem sabe até o que devo procurar.
E, assim, to há dias, procurando ins(pirações) para aqui estar e explanar meus sentidos.
Tentando escrever algo com sentido. Tentando me achar em mim mesma. Ou até fora de mim. 
Que chato isso. Que saco.
E, assim, sigo meu rumo na inércia do não escrever porque não encontro a palavra certa. Na hora incerta. Na rima que não devo seguir porque a vida não tem rima nem curso certo. Ela se define por si mesma, ao longo das palavras não ditas e nas rimas não combinadas ou proferidas.
Na busca pela rima, encontro a briga entre mim e meu eu. Encontro a falta da palavra certa, que eu acho que é a certa.
Daí pensei de novo: porque não jogar simplesmente as palavras no papel e elas que se combinem por si só...
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quarta-feira, 16 de março de 2011

Pisciana de Niver

Hoje, completando 5.4 aninhos, vejo que tô cada vez mais pisciana. Vai aí umas dicas de como sou em toda minha essência:
Peixes
20 de fevereiro - 20 de março
Último signo do Zodíaco, Peixes também é o último da série dos signos mutáveis, aquele que dispersa e distribui tudo o que todos os signos anteriores construíram e criaram no ciclo de manifestação. Assim como ele se dedica ao entendimento geral de tudo, porque sabe que tudo tem um fim, também sabe que está na fronteira de dois mundos. Um mundo que termina, outro que deve começar dentro em pouco. Nesse limiar, Peixes permanece, sentindo e pressentindo o que ainda virá, e o que já foi, tentando ensinar ao mundo a lição de todos somos partes de um mesmo organismo, que não há separação.
No mar de emoções instáveis como o oceano, governado por Peixes, está este signo que acompanha todos os que estão se despedindo de um ciclo, onde se vê ao longe a possibilidade de um mundo que se desconhece, mas que se pressente.
Peixes representa o conseqüente escapismo, a fuga do mundo, o devaneio e o ar vago, a modéstia e um certo ar de vítima do mundo que às vezes exibe. Com a enorme empatia que sente pelos desfavorecidos, Peixes quer a justiça, mas a divina, pois "seu reino não deste mundo" e ele entra pela porta dos fundos em todas as situações, mas acaba sempre dando seu recado, porque o céu fala por sua boca.
Assim é Peixes, que às vezes é saltimbanco na vida, sem saber muito bem como anda e para onde vai, sempre seguindo com fé sua intuição e sua sensibilidade artística. Peixes vê com os olhos amplos, fixos no horizonte e pouco lhe interessam os detalhes. "Navegar é preciso" é um lema deste signo, lítico, incompreendido, sentimental ao extremo, capaz das maiores loucuras e das maiores provas de compaixão humana. Almeja o transcendente, como Sagitário ou Escorpião, mas à sua especial maneira sem fazer alarde, sem querer convencer ninguém, mas com uma força de alma que é conhecido pela sua "reza forte", que cai como uma bênção nas almas aflitas. 
Na profissão, o Peixes está onde ninguém mais está: no laboratório de pesquisa física, tentando desvendar o que há mais além do universo conhecido, mas também no mercado, vendendo produtos de origem longínqua, que alargam a visão do consumidor. Mestre da arte mágica, vendedor do bizarro, poeta, cineasta porque almeja outra existência e outra ordem, literato, porque relata a vida e seus sentidos ou a falta deles músico e dançarino, santo, louco e médico, religioso ou mestre mais alto de uma ordem secreta espiritual, é aquele que segue com seu passinho os desígnios de um mundo que ainda não nos foi revelado, mas só a ele.
No amor, é o mais lítico e romântico de todos os signos, aquele que dá a vida por quem ama, que se compraz até na dor porque assim quem sabe alcança essa dimensão maior da vida invisível. Peixes deseja tão somente o encontro de almas, mais nada lhe serve e não menos exige. Se contrariado, chora e comove, ao ponto de se tornar a vítima que consegue o que quer graças ao seu poder de sedução, charme e mistério, que exibe sem querer. Por ser romântico, mas instável como o oceano, curioso e explorador, pode não se adaptar muito bem à vida do casamento, mas sua sensualidade e sexualidade, com fortes cargas românticas, o torna um dos amantes mais devotados a quem ama e à sua prole.
Seu elemento é a Água, sua pedra é a água-marinha e a ametista; seu metal é o estanho, sua cor é variável, do azul ao verde, com todas as tonalidades do oceano. Astro regente: Júpiter(clássico) e Netuno (moderno). 
Sexualidade:  Conta a lenda que a mulher de Peixes é a mais feminina, romântica e fatal de todo o zodíaco. Lânguida, remota e um pouco distraída, representa naturalmente o protótipo da mulher sensível, emotiva, que se recolhe e interioriza quando tantas outras se exibem na passarela. No jogo de ocultar-revelar que sabe manejar tão bem, poucos são os que não sucumbem ao canto dessa sereia. Mas se você está interessado nela, lembre-se: flores, música, ambientes bucólicos e românticos com muita tranqüilidade e uma dose de aventura a fazem sonhar e excita sua imaginação. E se você conseguir excitar sua imaginação, o resto vem naturalmente. Sensível e um pouco tímida ela é, embora não aparente. Quando se oculta, parece atrair e quando afasta parece tentar. Talvez seja a mulher mais esquiva de todo o zodíaco, a mais misteriosa e a mais difícil de agradar. 
Finalmente, a parte engraçada: 
1. Frase: ‘Ontem tinha DÚVIDAS, hoje… NÃO SEI!’
2. O que o pisciano espera de seu parceiro: Busca um protetor amoroso, uma alma irmã, uma pessoa espiritualizada, que saiba aceitar seu humor sempre mutável e sua necessidade de solidão e de privacidade. Ah! E que goste de bichos..
3. O que o pisciano diz depois do sexo: ‘Qual você disse que era o seu nome mesmo?’
4. Como irritar um pisciano: Diga para agarrarem-se a si mesmos e esquecerem dos outros. Marque encontro com eles em locais brilhantes, barulhentos, superpovoados, como o metrô da Sé. Deixe-os falando sem parar e no fim diga que não entendeu nada.
5. Como o pisciano reza antes de dormir: ‘Pai Celestial, enquanto eu me preparo para consumir este último quinto de scotch para esquecer minha dor e meu sofrimento, possa minha embriaguez servir para aumentar sua Honra e Glória.’
6. Por que o pisciano atravessou a rua: Que rua? Ih, é…
7. Você foi assaltado e o pisciano: ‘Toma esse amuleto, guarda com você… protege contra assaltos..’
8. Adesivo para o vidro do carro do pisciano: ‘Não me siga. Também não me lembro pra onde eu estava indo’
9. Quantos piscianos são necessários para trocar uma lâmpada: O quê? A luz está apagada?
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sábado, 5 de março de 2011

Intimidade

Intimidade não se impõe, ela simplesmente nasce ou não. Não to falando somente da intimidade na cama, falo daquela percebida através do olhar, do tom da voz ou do toque das mãos. 
É estar um passo adiante nos desejos do outro.
Intimidade se conquista através dos dias, das palavras ditas ou caladas, bastando um olhar ou um pequeno gesto para a compreensão. É conhecer o teu melhor perfil, do mais rude até o mais singelo. Aquele que você tem mais vergonha de ser e o que mais te dignifica. É revelar teu raio-X, te expor sem vergonhas nem limitações.
É a essência do teu ser em exposição ao outro, sem medo e sem restrições ao que, do outro lado, vão pensar ou criticar. É relaxar tua alma nas mãos de alguém que confiamos.
Podemos até dizer que amamos alguém, mas não será verdadeiro se não temos a intimidade necessária para conhecer quase em detalhes esta pessoa. Como podemos dizer que amamos se não enxergamos em prismas o ser “amado”. O olho no olho já revela muito da alma,
 A intimidade se desvenda no dia a dia, no compartilhar, no dialogar, no se permitir conhecer, na entrega, no prazer e na dor. No escovar os dentes na frente do outro, no cozinhar e comer, no beber, no sexo, na dor de barriga, no resfriado, na falta da grana, nos erros ou acertos.
Ninguém é intimo se não conhecer as partes de você, seus defeitos, suas manias, se você roe as unhas, se ronca, se diz palavrões, se arrota ou peida (ops!). E não adianta esconder, todos fazemos isso.
Não adianta conhecer um ícone, somos o que somos não disfarce o seu eu, pois ele existe. Ninguém vai me amar verdadeiramente se não conhecer meus medos, tocs e virtudes. Quando estivermos partilhando a mesma cama, sob o mesmo teto e com as escovas de dente juntas, o que somos se revela e aí sim, neste momento, vou poder ouvir se você me ama de verdade.
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sábado, 19 de fevereiro de 2011

No Meu Tempo...

Nossa cultura é baseada no vigor da juventude, esquecendo que o saber está no amadurecimento. Somos culpados em utilizar tal termo.
Nosso tempo é nossa vida de cabo a rabo, sem importar a idade ou a fase.
Somos predestinados culturalmente a basear nossas vidas a nossa juventude física. Besteira de propaganda enganosa. Meu tempo é minha vida transgredida ou não, é o meu pensar sem se dar conta do meu corpo, a sabedoria adquirida, sem as amarras do meu tempo.
Somos culpados por isso, “mea culpa minha máxima culpa”. São valores que mudam todo dia, valorizam o corpo jovem em detrimento do velho, como nos comerciais de carros potentes. Correm mais, mas não sabem a hora exata de frear. Muito menos têm conhecimento da troca de marcha.
Quando comecei a usar a bendita expressão, me senti uma verdadeira “tia”.  Assim, como nos chamam no semáforo (pra quem não é do tempo: sinaleira, sinal...).  Pior ainda, quando aqueles vendedores mais velhos também te chamam de tia. Respondo que ele não é filho do meu irmão.
Observem vocês também, lá pelos seus 30 anos começamos a falar assim. Insistimos em dizer que o nosso tempo já passou, estamos na reta final, na prorrogação, nos juros, na rebarba, somos adultos e como tal excluímos a juventude e a irreverência de nossas vidas. Malditos protótipos criados na televisão, internet e comerciais reverenciando a juventude como modo de vida.
Pior de tudo, é que aceitamos passivamente que nosso tempo já passou.
Também faço o mesmo, também sou culpada. Porque tenho que restringir minha vida dos 12 aos 29 anos como vida vivida e curtida, em plena juventude.
Hoje com 53 (aff) meu tempo ainda existe e persiste. Meu tempo, minha época é o agora e não abro mão disso. Porque vou dizer que já passou se ainda estou aqui, amando, aprontando, sonhando, viajando, curtindo, escrevendo, indagando, deprimindo, questionando, revoltando, brigando e ainda culpando meus pais por coisas que sou hoje (não merecem!),
Sabe qual é a diferença? É que descobrimos ter o poder da escolha (nem sempre a certa), mas a possuímos. Quanto mais velhos ficamos, mais medrosos nos tornamos. O que temos hoje é inveja de não podermos nos atirar num vôo, sem se preocupar em como vamos aterrissar.
Somos suficientemente maduros para escolher, mas não para se arriscar. Pensamos demais nas conseqüências, por isso dizemos “no nosso tempo”, porque lá nós vivíamos a vida como realmente deve ser vivida. Ou seja...
Sem medo de ser feliz.
Nosso tempo é o agora...
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sábado, 22 de janeiro de 2011

Eu Te Dei Uma Gaveta

Eu te dei uma gaveta no meu armário! Acho que você não entendeu o significado disso. Significa compartir contigo meu espaço, minha intimidade e meu coração. Nas arrumações que fiz, tratei de abrir uma só pra você.
Tava empoeirada, mas também tratei de limpar e tirar o pó acumulado nesses anos todos. 
E, dei uma gaveta para você...
Dei porque depois de tanto “vai e volta” acreditei novamente em tuas palavras. 
E abri uma gaveta somente pra você.
Há muito, ninguém ocupava uma gaveta minha.
É como abrir o coração, deixando invadir meus pertences mais queridos e meus segredos mais escondidos. É como revelar minha intimidade, compartilhando calcinhas e sutiãs. É como ceder meu melhor travesseiro, repartir o cobertor e entregar meu melhor lado da cama.
Há um perigo iminente quando você permite uma outra escova de dente ao lado da sua, compartilha o mesmo sabonete ou deixa cozinhar no seu fogão. Cuide-se disso, é entrega! E como tal é perigosa se não houver valor de ambos os lados.
Não sou mulher de ceder gavetas a qualquer um, mas se o fiz... foi por acreditar nas palavras que ouvi e nos olhos que encarei.
Custa-me, também, esvaziá-las porque ficará um vazio igual ao do meu coração. E não gosto de vazios e nem de vácuos no meu peito. Prefiro enchê-los de vida, pois gavetas vazias remetem ao descaso e ao abandono.
Talvez você quisesse bem mais do que uma gaveta, o armário inteiro.. quem sabe. Mas o espaço se conquista não se impõe. Há quem não valorize uma pequena gaveta, o que dirá de um armário inteiro. Eu te daria, mas com o tempo, com a parceria e com a cumplicidade. Tem que haver para que possamos ceder espaços e gavetas. Não houve, pelo menos da tua parte.
Posso garantir que te daria o armário inteiro, mas precisava saber se de uma simples gaveta você almejava um espaço maior. Tive a certeza que não, quando percebi que você não conhece a verdadeira dona do armário e, também, não teve a mínima vontade de conhecer a mulher que habita esta casa e valoriza a quem abre suas gavetas.

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terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Gerundiando

Gostaria de aproveitar o inicio do novo ano para estar enviando a todos vocês abraços e beijos. Quero estar confessando que sinto falta de estar aqui, podendo ta escrevendo e confessando meus anseios e pecados.
Aproveito para estar agradecendo os comentários que estive recebendo, os quais fiquei muito emocionada.
A partir de agora pretendo estar escrevendo com mais afinco e dedicação e ainda tentar resgatar meus amados leitores (bah).
Vocês bem sabem que amo estar postando meus modestos textos, mas as mudanças me obrigaram a ficar meditando e abandonando meus escritos. Espero agora, poder tá realizando os pedidos dos amigos que reclamam minha ausência. Este ano, vô tá escrevendo mais ... assim espero. Desde que eu não esteja enfrentando novas mudanças que podem estar abalando minhas (ins) pirações.
Pretendo, também, estar coletando novos olhares pra tá transmitindo a vocês e poder tá retornando o afeto que me dedicaram nesse período em que não pude estar interagindo no Gavetas.
Vou estar desejando a todos um ano repleto de inspirações e que esta nova linguagem de telemarketing, ridícula e irritante, seja banida dos nossos ouvidos. Amém!

Para encerrar, vamos estar assistindo a uma reportagem dedicada ao nosso querido gerúndio:

Poderão estar assistindo, também:




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domingo, 28 de novembro de 2010

O Luto das Gavetas

“Jogar tudo fora e começar de novo é a mesma coisa que tentar reconstruir um avião em pleno vôo. Não se explica o que fazer com as vítimas no momento da queda”.
Confesso: tô sem tesão de escrever, de responder recados no orkut, no blog, no celular, e-mail, carta, pombo correio, sinais de fumaça, aff... só não dispenso um abraço.
Aquele negócio de sair do casulo, ser eu mesma e blá blá blá... não é tarefa fácil. Demorei pra confessar, até porque nem pra isso eu tinha “saco”. São transformações, que peço paciência a Deus e a vocês. Nem eu sei onde vou chegar. Nem eu sei quem vai restar. Só sei que tô em pesada transformação, mas a vida é isso né.. não sou estagnada, sou revoltada com a paralisia.
Mas, por favor, não me cobrem, já faço isso muito bem.
Outra coisa, anteriormente eu passava o dia inteiro na net. Podia falar com todos, conversar, confidenciar e ser confidenciada, hoje não. Aposentei, mas mesmo assim tento alguns “bicos”, sabem que salário mínimo não sustenta ninguém. Portanto, já não fico aqui o tempo todo. Minhas aspirações se transformaram e radicalizaram. Mesmo assim, pessoas me cobram o fato de não estar disponível.
Juro que estou, porém de forma diferente e mais centrada, ou não. Amo comentários no blog sei que “devo” respostas.
Tenho momentos de fuga, momentos de fome, de reflexão, momento só meu, aqueles que escrevo, outros que descrevo, de depressões, do respondo depois, do remember, do tô curtindo minha casa nova, tô caminhando, fumando e bebendo, dos florais e homeopatia, do pensando, do fugindo, do não sou poeta, do penso que escrevo, da culpa, da cobrança, do ficando velha e continuo adolescente, do “dexa pra depois”, do “desculpe o auê”..
Há também, momentos de apego, do desassossego, do aconchego, do bocejo e assim vai, momento a momento.
Sumida ou assumida, vezes me acho outras me perco, me off ou me on tanto faz.
Com certeza é um momento que ainda não consegui explicar pra mim mesma, sou assim, confusa e fujona, às vezes, mas volto. Eu não paro, eu me fujo, eu reciclo, eu renasço, eu escrevo e descrevo, eu penso (demais) e existo.
 Não sei se tenho fugido de mim ou pra mim. Só sei que tô apática e zen. Uma espécie de troca do virtual pelo real, coisa difícil, pois eu estava encravada neste mundo. A impressão que tenho é que quero sentar os pés no chão e tirar a bunda da cadeira.
São difíceis as conseqüências a que estou me submetendo em prol da mudança. Não devo estar agradando aos virtuais e aos reais ainda submeto a criticas e escolhas daquilo que me cabe. A mudança ainda não acabou.
 
Não pensem que está sendo fácil, apenas não tenho vontade de teclar.
Desde a minha revirada de gavetas, mudança de casa e aposentadoria (fechar minha empresa) até hoje, eu não tinha idéia das conseqüências. Hoje, em plena transformação, temo pelo resultado disso tudo. Não faço idéia da recriação, muito menos a quem estou me transmutando. Só sei que estou reciclando e, em pleno desabafo......  não sei o resultado.
Pessoas ditas normais não se prendem a mudanças, mas eu, como não o sou, me prendo. Virei em 180º, de cabeça pra baixo e do avesso, não esperem as mesmas atitudes... graças a Deus. Não é o primeiro e talvez nem o último renascimento.
Mas enquanto isto ocorre, prefiro ficar calada e quietinha. Tipo, no ventre me escutando, em comunhão, em profusão, me criando, renascendo, refazendo, reinventando, assustada, angustiada, entrando pra dentro de mim pra ver o reverso.
E em verso, quem sabe, eu transforme um poeta incrédulo em poeta de verdade. Carne e osso. Mente e coração. Alguém que simplesmente escreva o que realmente sente. E acredite nisso, não pelo que lhe dizem, mas pelo que sente na alma.
A revolta das gavetas mexe comigo, deixei uma bagagem pra trás que agora está me cobrando atitudes. É um luto o que estou passando e, confesso de novo, dói.
Certas mudanças reviram minha zona de conforto e quando me dou conta estou meio perdida, aturdida, no abandono daquilo que eu era. Mudança de casa, de estado profissional, de vizinhos, de caminhos, de atitudes, vícios, paisagens, de padaria, de rotina e de luto. Aí...
O conteúdo das gavetas foi mexido e remexido, incomodado e desacomodado, esvaziada deixando lacunas ainda incompletas, vazios e vácuos que precisam ser ocupados por novas descobertas.  
Mudanças sempre me desacomodam e mexem muito comigo, mais do que eu gostaria...  
Preciso enterrar alguns mortos para que eu saia do luto e então possa, finalmente, encarar as novas gavetas.
Tô perdidona nelas...
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