quarta-feira, 20 de julho de 2011

Amigos

"Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos.
Não percebem o amor que lhes devoto e a absoluta necessidade que tenho deles.
A amizade é um sentimento mais nobre do que o amor, eis que permite que o objeto dela se divida em outros afetos, enquanto o amor tem intrínseco o ciúme, que não admite a rivalidade.
E eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos !
Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus amigos e o quanto minha vida depende de suas existências..
A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem. Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida.
Mas, porque não os procuro com assiduidade, não posso lhes dizer o quanto gosto deles. Eles não iriam acreditar.
Muitos deles estão lendo esta crônica e não sabemque estão incluídos na sagrada relação de meus amigos.
Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro, embora não declare e não os procure.
E às vezes, quando os procuro, noto que eles não tem noção de como me são necessários,de como são indispensáveis ao meu equilíbrio vital, porque eles fazem parte do mundo que eu, tremulamente, construí,e se tornaram alicerces do meu encanto pela vida.
Se um deles morrer, eu ficarei torto para um lado.Se todos eles morrerem, eu desabo!Por isso é que, sem que eles saibam, eu rezo pela vida deles.
E me envergonho, porque essa minha prece é, em síntese, dirigida ao meu bem estar. 
Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo.
Por vezes, mergulho em pensamentos sobre alguns deles.
Quando viajo e fico diante de lugares maravilhosos,cai-me alguma lágrima por não estarem junto de mim,compartilhando daquele prazer ...
Se alguma coisa me consome e me envelhece é que a roda furiosa da vida não me permite ter sempre ao meu lado,morando comigo, andando comigo, falando comigo, vivendo comigo, todos os meus amigos, e, principalmente, os que só desconfiam - ou talvez nunca vão saber -que são meus amigos!"
"A gente não faz amigos, reconhece-os."
Vinicius de Moraes

Amigos em: http://www.gavetasdalidia.com/2010/04/amigo-jesus-obrigada.html
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sábado, 16 de julho de 2011

Sonhei Contigo


Sonhei contigo, como se dali
Nunca tivesse saído
Senti teu cheiro e tua presença
Acordei tão feliz
Tão você

Impressionada, assustada,
Como se nunca tivesse partido
Lembrei do vinho, do abraço e do beijo
Segredos e lembranças
Lua cheia e cigarros

Lareira invejada
Ah, domingo sequelado
Quanto podia ter mudado
A lua segredada
E não foi, mas senti como se fosse
No sonho...

Me acordei tão feliz, com a sensação
De que tivesse sido
Mas não foi, deixou passar
Confirmamos segredos e desejos
Foi, realmente, um sonho
Estar contigo

Tão bom, gostoso e real
Deu saudade de ti
Como teria sido, você e eu?
Teu canto no coração, ficou tatuado
Tão feliz fiquei, quando sonhei
Até misturei tu e você...
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quarta-feira, 22 de junho de 2011

Vida e Verso

Delimitada vida
Exclusiva de nós
Solidões apalpáveis
Vidas semeadas
Através dos nós

Escolhas atingíveis
Respostas nem tanto
Caminhos severos
Sorrisos tímidos
Olhares fugidos

Buscas cruzadas
Destinos safados
Encontros marcados
Beijos molhados
Gozos não ditos

Gritos em sufoco
Palavras escritas
Versos sem rimas
Nortes perdidos
Letras caídas

Juntando tudo..
Criam-se poemas
Lavrados aqui
Cuspidos no rosto
Cravados na alma

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quarta-feira, 15 de junho de 2011

Eclipse Total (ao vivo)



"Para ver o eclipse a partir das câmeras do Google, basta acessar o canal oficial da empresa no YouTube a partir das 15h de hoje. Ainda estará claro no Brasil, então é improvável que os brasileiros acompanhem o eclipse a olho nu antes das 18h. De acordo com astrônomos, a visualização do evento será possível em Curitiba somente por volta de 18h30.
O eclipse de 100 minutos poderá ser visto na África, América do Sul, Ásia, Austrália e Europa. Ou então no YouTube, claro. Durante o fenômeno, a Terra se posiciona entre o Sol e a Lua, que fica à sombra feito pelo Sol ao projetar sua luz em nosso planeta."
Fonte: Techtudo
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domingo, 12 de junho de 2011

Enamorando

Frio na espinha que persegue
Cada fio de cabelo
Cada poro de respiro
Um beijo que alma
E acalma

Olhos que gritam amor
Meu olfato te cheira
Minha boca desliza
Teu corpo
Teu horto

Mãos que desatinam
Andanças em gozo
Bocas que procuram
Gosto de fúlgidos desejos
Enquanto mimos te faço

Rosas respiram teu ar
Comparam os cheiros
E se curvam
Quando teus passos
E amassos passam

Enamoradas
Pra sempre serei tua
E a lua..
Acanhada se esconde
de vergonha
Dos mimos pensados.

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sexta-feira, 27 de maio de 2011

Dois Anos Escancarando Gavetas

Foi de mansinho, como aqui já falei
Linha a linha, costurei com palavras
Palavra a palavra, redigi sentenças
Frase por frase fui abrindo gavetas
Escancarei e sentenciei minha vida em versos

Cada palavra escrita trás minha vida
Meus desejos, frustrações, anseios,
Segredos não mais guardados
Gavetas não mais trancadas
Poeiras e mofos escancarados

Já matei dragões
Driblei leões
Pulei precipícios
Que por ofício
Me fazem escrever

Escrevo sobre anões e corações
Duendes e gnomos visitam minhas letras
Clarões invadem a visão
Que do branco transmutam poesias
Enquanto raízes e sementes brotam de mim

Libertei borboletas
Comi sapos
Dancei com um beija-flor
Da dor, bulinei palavras
Do amor, fiz versos descompassados
E das gavetas, expeli os desatinos.

Obs1: Há dois anos criei o Gavetas da Lídia pra desatinar em versos, acho que to conseguindo. E, também, há dois anos amo vocês, amados leitores de uma aspirante a poeta. Obrigada por me lerem.
Obs2: Eis aí, o selo que a Silvia, do Meu Lado Contido, fez pro Gavetas. 
Obrigada amiga.


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domingo, 15 de maio de 2011

Atingida

Que raio é este que me ofusca
Bulindo minhas entranhas
Sacanas e férteis
Fujo do fel da boca
Enquanto sorrio estranhas

Rio que apaga memórias
Desce encostas
Serpenteia orelhas divinas
Lábios malditos sugam
Estrelas que engoli

Vacino minhas mãos de ti
Me jogo morro acima
Caio molhada na lama
Parindo mordaças alheias
Arrebentando o céu na areia

Rastejo lágrimas tortas
Bocejo flores na cara
No chão, busco anjos
No céu, o inferno
E das nuvens, caio
Ousando sorrisos.
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